A MAGIA DOS LIVROS ANTES MESMO DO BERÇO

a magia dos livros
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A importância da leitura é indiscutível. Ela estimula o raciocínio, a compreensão do indivíduo sobre as coisas do mundo, ajuda a ampliar o repertório, enriquece o vocabulário entre outras coisas.

Mas, embora os benefícios da leitura sejam inúmeros, o gosto por essa prática dificilmente surgirá espontaneamente; é preciso cultivá-lo. E o que poucos sabem é que isso pode, e deve ser feito desde muito cedo: quando o bebê ainda está na fase intrauterina; ou seja, na barriga da mãe.

A leitura e os laços afetivos

” Quando o bebê está dentro da barriga da mãe, ele tem um registro duplo da voz dela. Parte da voz ecoa para dentro; e parte ele escuta porque a voz dela entra pela barriga dela. E esse registro também vem acompanhado de batimentos cardíacos e de todas as emoções que essa mãe sente e coloca na voz. Então, quando a mãe fala com ele, ou conta, ou lê alguma coisa que ela acha comovente, que não é uma leitura mecânica, esse registro é comunicado para o bebê, fazendo parte da vivência dele; da estimulação que ele recebe dentro da barriga dela”, afirma a psicóloga, psicanalista, especialista em desenvolvimento infantil e criadora do Primetime Child Development, Christine Bruder.

No entanto, a especialista explica que para que o processo tenha os efeitos esperados, é necessário que os pais fiquem atentos ao modo como é feita essa leitura. “O que é rico é que a linguagem seja usada como uma ferramenta de relacionamento. E a gente faz isso também enquanto lê, enquanto conta uma história. Porque a gente não faz isso como uma máquina. A gente coloca os nossos afetos, as nossas impressões, tudo isso de um modo muito sutil, com dramaticidade na forma de falar; ou entusiasmo, e isso tudo ajuda a enriquecer a linguagem.”

Outra questão importante no momento da escolha é avaliar o que mais agrada aos pais, de acordo com a especialista. “Se os pais vão ler alguma coisa que eles acham chato ou porque o especialista manda ler, eles não conseguem carregar na emoção. Então, a gente recomenda, quando a mãe vai ler para o bebê, que ela pergunte aos pais dela o que ela gostava de ouvir quando pequena”, aconselha Christine.

Bebês que ouvem histórias falarão mais palavras

Segundo Christine Bruder, a maior parte do vocabulário de uma criança com até 3 anos de idade é formada até os oito meses de vida dela. Isso ocorre porque ela absorve o que escuta na fala do pai, da mãe, do ambiente em que vive no dia a dia e ativa os significados das palavras e coisas que são apresentadas a ela. Por esse motivo, é importante também observar a qualidade da leitura que será feita para esse bebê.

“Quando a gente lê para uma criança, ela não absorve apenas aquelas palavras do cotidiano, ela retém também palavras um pouco mais formais; porque eu não uso algumas palavras coloquialmente, mas as uso sempre que escrevo. Então faz muita diferença nessa exposição que eu vou fazer para a criança se o que eu estou lendo tem qualidade; se tem uma construção verbal correta; se traz elementos da fantasia; se traz subjetividade, porque isso cria outro tipo de vocabulário também.”

“Ler para um bebê é um sistema de poupança”

Muitos pais ficam duvidosos sobre como despertar o interesse dos pequenos sobre a leitura. Mas é preciso saber que ler para uma criança ainda muito pequena é como um sistema de poupança, como define a psicóloga e psicanalista Christine Bruder. “Você cria um alicerce linguístico muito antes da criança falar. E isso pode ser usado, potencialmente, mais para frente.”

Dica | Saiba como despertar o interesse pela leitura nos pequenos

Muito se fala sobre a importância da leitura como um hábito entre os membros da família para estimular novos leitores. E isso ocorre porque muitas das coisas que os pequenos aprendem são absorvidas pelo exemplo daqueles que os cercam. No entanto, é preciso ir um pouco mais além quando o assunto são os livros. Para despertar um pequeno, é importante que os adultos tenham compromisso com os interesses dessa criança. E que haja também liberdade no momento da leitura, principalmente se o ouvinte for um bebê.

Deixar que a criança interfira, coloque o livro na boca (existem materiais de pano ou plástico mais adequados para essa faixa etária), agarre as páginas, passe os dedos sobre as texturas e figuras e também repetir os trechos que mais chamam a atenção, ainda que não se avance na história exatamente como ela foi escrita, é um meio muito propício de interação. Outra boa dica, segundo a especialista, é eleger uma das personagens da história para chamá-la pelo nome da criança que está ouvindo aquele conto. “É isso que vai garantir que um bebê vai gostar de ler no futuro e não esperar que uma criança de dois anos, por exemplo, fique parada, sentada, só ouvindo”, explica Christine.

O mesmo vale para a chamada geração Alpha (nome que se dá aos nascidos a partir de 2010). Não adianta esperar que eles, que já nasceram ativos e hiperconectados, se aquietem e ouçam uma história completa perfeitamente sentados. O importante é criar ferramentas linguísticas para que eles se mantenham atentos a essas histórias, embora pareçam completamente dispersos; uma vez que a capacidade desses pequenos em absorver o que lhes é transmitido não fica comprometida, apesar da agitação.

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