BRINCAR É……ESSENCIAL PARA O DESENVOLVIMENTO GLOBAL DA CRIANÇA

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Um dia você percebe que aquele bebê que apenas engatinhava e balbuciava cresceu e já consegue elaborar frases com palavras novas, identificar cores e objetos e correr e saltitar por aí. A partir dessa fase, os avanços ficam cada vez mais visíveis, mas o desenvolvimento nem sempre tem a ver com estímulos orientados para essa finalidade.

Em muitos casos, deixar que a criança exerça sua principal atividade da infância, que é brincar livremente, é muito mais proveitoso para que ela alcance o desenvolvimento adequado para cada fase e com autonomia, como explica a psicopedagoga clínica especialista em orientação, Martha Alves. “Ao brincar livre a criança constrói o emocional e o afetivo. Em uma brincadeira natural, como eram as de antigamente, a criança pode desenvolver o lado motor e o físico, como em brincadeiras de pular ou correr, por exemplo. Em outras situações ela fantasia os personagens que carregam também um pouco da vida dela na brincadeira que ali está sendo inventada. Isso mostra como ela elabora o que está sendo passado para ela no dia a dia.”

A psicopedagoga explica que esse é um processo que faz parte da natureza da criança e que não precisa sofrer a interferência de adultos para que seja eficaz. ” O que precisa é de coordenação no sentido dos materiais que são apresentados como possibilidade para a criança. A madeira, por exemplo, é sempre melhor do que o plástico. É importante que essa criança tenha contato com diferentes tipos de produtos e objetos. Isso ajuda na motricidade. Mostrar como eram as brincadeiras antigas, como pular corda e amarelinha, também ajuda no desenvolvimento da motricidade. Já uma brincadeira de casinha revela o que é emocionalmente importante. Isso tudo vale mais do que ter brincadeiras ou brinquedos muito direcionados.”

As etapas de desenvolvimento da criança também precisam ser respeitadas. Uma criança de até três anos de idade, por exemplo, não reage às interações de acordo com as expectativas dos adultos. Nessa fase, ela ainda está muito voltada para si mesma, construindo o seu universo particular. “Mesmo estando em grupo de crianças da mesma idade ela ainda brinca um pouco sozinha”, afirma Martha.

A especialista conta que isso é natural e deve ser respeitado, evitando estímulos para que a criança brinque necessariamente com outra ali presente. ” A pressão social não faz sentido para a criança pequena. Forçar uma criança emocionalmente pode ser até pior porque ela não está preparada, e se ela internalizar essa experiência negativa de ter sido forçada poderá até ficar retraída nas brincadeiras futuras, quando chegar o momento dela viver essa fase.”

É só a partir dos cinco ou seis anos de idade que os pequenos estão preparados para a interação social. É aí que eles entendem o que é dividir e começam a perceber melhor o mundo exterior.

O desenvolvimento infantil e a sociedade atual

A organização social tem gerado algumas influências no desenvolvimento das crianças, embora isso pareça muito sutil. Brincar sozinho ou apenas com adultos, por exemplo, tem se tornado cada vez mais comum para alguns.

A tecnologia, por outro lado, torna os pequenos mais precoces, seja pela exposição ou pela velocidade em que as informações, sem filtro, chegam.

Do mesmo modo, a agenda das mães, que precisam enfrentar o mercado de trabalho assim como os pais, demanda que a rotina do filho seja elaborada também com uma série de atividades que não são elegidas por eles mesmos.

Todas essas escolhas trazem consequências para a vida dos pequenos. Para se ter ideia, ter outras crianças com quem brincar e fazer isso fora de um ambiente fechado faz com que elas corram, pisem na terra, tenham contato com a natureza e aprendam a lidar com frustrações, no entanto, o mais comum é que sozinhos os pequenos se rendam a objetos tecnológicos. ” Isso afeta a vida social da criança. E ficar na tela afeta o desenvolvimento físico”, diz Martha Alves.

Já o excesso de informações a que as crianças têm acesso sem preparo as coloca em uma situação de precocidade. “Isso mostra que nós temos mini adultos. Fui ao shopping e uma menina que não tinha nem nove anos passava batom e tirava “selfie” no banheiro com as amiguinhas. Nove anos é uma idade que a menina deveria brincar de boneca. Antes essa transição era aos 15 anos e agora chegou aos oito. A sociedade tem uma ansiedade, uma exigência de que quanto mais cedo estimular melhor será. Cognitivamente isso é fato porque a quantidade de neurônios é maior quando se é mais novo; mas o emocional não acompanha e isso tem um preço. Isso faz com que esse mini adulto entre em conflito, porque ele tem a essência de querer ser criança, mas tudo ao redor pede para que ele seja adulto”, explica a psicopedagoga.

No caso das escolhas feitas para que a vida da criança esteja adequada às necessidades dos adultos, podem haver casos em que elas cresçam sem saber direcionar as próprias escolhas o que dará origem a adolescentes muito indecisos.

Dica | Conviver, experimentar e até cair é fundamental

Individualismo, escolhas feitas pelos adultos ao redor e proteção em demasia são aspectos a serem revistos se presentes no universo infantil. Para que se desenvolvam com tranquilidade, as crianças precisam de ambientes em que possam conviver com outras e interagir quando chegar a hora certa, além de possibilidades que permitam que elas experimentem diferentes experiências; o que dará a elas repertório para criar e construir os saberes. Do mesmo modo, ao longo dessas vivências, elas precisam conhecer o não, que também pode vir das interações sociais com outras crianças. Isso permitirá que elas lidem com as frustrações de maneira mais natural no futuro.

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