BRINCAR É … UM JEITO DE RECRIAR SITUAÇÕES DO COTIDIANO E SE PREPARAR PARA A VIDA ADULTA

Compartilhe Share on Facebook0Tweet about this on TwitterShare on Google+0Email this to someonePrint this page

Os primeiros sinais de que as crianças estão atentas a cada uma das ações dos adultos começam a aparecer ainda nos primeiros meses de vida. Algumas vezes pode parecer até imperceptível, mas é comum que os pequenos passem a pegar telefones, chaves e outros objetos manuseados por adultos. Esses são os primeiros indicativos do processo de imitação.

Em pouco tempo a criança passa a brincar criando situações imaginárias e neste período, mais uma vez, a imitação passa a fazer parte do universo infantil de um modo mais evidente. Para algumas crianças isso se manifesta com a eleição de brincadeiras de casinha ou escolinha, já em outros casos isso se dá quando o pequeno passa a se fantasiar usando roupas e sapatos dos pais para então criar as próprias brincadeiras.

No entanto, ao elegerem essas brincadeiras as crianças estão, na realidade, entrando em uma “zona de desenvolvimento proximal”. O termo criado por Lev Vygotsky (psicólogo bielo-russo bastante influente na pedagogia contemporânea, sobretudo em temas ligados ao desenvolvimento intelectual e às relações sociais nesse processo) foi usado para mostrar como as crianças desenvolvem as funções do brincar no processo de amadurecimento e isso as leva para um nível de desenvolvimento real. Por essa razão, quase sempre, os pequenos escolhem representar papeis de pessoas ou personagens mais velhos do que são de fato e isso as ajuda a desenvolver habilidades que serão úteis na vida adulta.

” No brinquedo, a criança sempre se comporta além do comportamento habitual da sua idade, além do seu comportamento diário; […] é como se ela fosse maior do que é na realidade” (Vygotsky, 1989). Naturalmente existe criação nesse processo; os pequenos usam o novo como forma de invenção, como um modo para colocar para fora a criatividade, mas mesmo esse elemento criativo tem como base a realidade que está à volta desse pequeno.

Com base nisso, para que as descobertas sobre as coisas do mundo sejam mais valiosas, é importante que os pais estimulem as brincadeiras incentivando o faz de conta de um modo sutil como por meio de contação de histórias, visitas ao teatro ou ao cinema, fazendo viagens e passeios e até mesmo ouvindo música com eles. Tudo isso ajuda a criar repertório para a criatividade das crianças e contribui com a segurança delas na vida adulta porque reforça os laços afetivos.

Outro ponto importante da brincadeira de faz de conta está no fato de que a criança transita do mundo das situações imaginárias para o das regras. Quantas vezes ouvimos crianças determinando o que pode e o que não pode na brincadeira enquanto simulavam situações da vida adulta?

Em ocasiões como essa, a criança além de criar suas próprias normas repete algumas regras sociais. Além disso, muitas vezes essas brincadeiras ocorrem em situações em que outros pequenos brincam junto, o que permite que todo esse faz de conta os coloque em contato com o que é viver em sociedade, que envolve saber aceitar as regras, não estar na liderança sempre, escutar o outro e assim por diante.

Desse modo, os valores necessários para que a criança viva em sociedade vão se internalizando aos poucos durante as brincadeiras até que ela chegue à vida adulta.

Referência: Vygotsky, L. S. (1989). A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores

 

Dica | Motivos para não interferir no faz de conta

Algumas vezes os adultos são convidados a participar das brincadeiras de faz de conta e, não raro, há uma inversão de papéis. Enquanto as crianças assumem os personagens em que são adultos, pedem que pais e mães assumam a condição de filhinhos, por exemplo. Quando isso acontece o ideal é deixar se levar pela brincadeira, sem se sentir constrangido por estar representando um papel infantil. Muitas vezes as crianças brincam de representar adultos para se sentirem em condição de igualdade. Outra dica importante é não tentar ensinar o que é certo ou errado em uma brincadeira de faz de conta. Claro que não se espera que um adulto deixe que a criança coloque na boca uma comidinha feita de areia. Nesse caso vale adverti-los

 

Gostou do nosso artigo?  Compartilhe com seus amigos e deixe seu comentário!!  Até breve!

Compartilhe Share on Facebook0Tweet about this on TwitterShare on Google+0Email this to someonePrint this page

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *