BRINCAR É … UM MODO DE COMPREENDER A SI E AOS PRÓPRIOS SENTIMENTOS

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Compreender a si mesmo como parte da grande engrenagem que é o mundo não é tarefa fácil. Se ainda adultos temos nossas dúvidas sobre nosso real lugar na sociedade, e temos dificuldade de lidar com os nossos sentimentos, no universo infantil isso não é diferente.

Mas é por meio da brincadeira que essa percepção sobre quem somos e como podemos lidar com nossas questões interiores começa, como explica a psicóloga infantil Daniella Freixo de Faria. “Uma criança pequena aprende pelo brincar a existência do outro e dela mesma; nessa descoberta se aprende o tato, os sons, os cheiros e outras informações que a ensinam a viver dentro do próprio corpo e a interagir com as referências externas. Ao brincar com um móbile, por exemplo, ela entende o que é querer pegar, vivencia o que é a distância e, ao mesmo tempo, vai dominando o corpo para movimentá-lo em nome do desejo”.   Segundo a psicóloga, o brincar neste sentido é uma grande introdução à vida social, uma grande iniciação.

Já por volta dos dois ou três anos é a vez da criança aprender a lidar com as frustrações. A partir do momento em que já pode se colocar em pé com as duas mãos livres é comum que os limites passem a ser impostos. ” A frustração ensina a esperar; ensina a resistência que a criança precisa saber; seja na hora que o castelo desmorona; na hora em que não se faz o gol. E é o brincar que dá o tom para que aquele momento continue leve, apesar da frustração.”

É por meio da brincadeira também que a criança aprende que é preciso controlar os desejos e que a vida em sociedade exige que regras sejam cumpridas. ” Quando a criança chega a uma idade por volta dos seis anos, começam a aparecer as aptidões, o que tem mais a ver com a criança, do que ela mais gosta. É nessa idade também que se começa a perceber o outro com muita força e que a criança está no auge do aprendizado, uma vez que ela passa a ser alfabetizada, interagir mais ativamente num mundo social e isso faz com que a criança fique mais centrada e passe a vivenciar brincadeiras com maior força grupal, o que também a ensina mais sobre viver em sociedade e o quanto tudo está inserido em regras, como a hora de brincar e a hora de trabalhar”, avalia Daniella.

Por outro lado, a brincadeira da criança também pode ser um sinal de alerta para os pais, uma vez que ao brincar a criança reproduz a realidade. ” A gente precisa prestar atenção no tom usado pela criança, no contexto dessa brincadeira, porque por meio dessa brincadeira podemos reparar o que ficou para criança [das informações recebidas ao longo do dia ou em outra situação]. No momento em que você vê uma criança reproduzindo uma situação que não foi boa é como se ela estivesse usando a brincadeira para ainda digerir aquilo; porque de alguma forma ela precisa entrar em contato com aquele momento por causa da carga emocional. E isso é um sinal de que precisamos rever a forma de correção.”

Para a especialista, outro ponto importante que pode ser aprendido pelas crianças por meio da brincadeira é a importância de cuidar de si mesma. ” As crianças estão sempre muito acompanhadas. Hoje não existe brincadeira livre. Mas a gente precisa fazer com que a criança entenda que ela também precisa se cuidar, embora, é claro, sempre seja necessário um adulto olhando por ela. Mas, a partir dos oito anos, é uma boa idade para que a criança brinque no prédio e seja vigiada a cada 15 minutos, ou interfone para falar que está tudo bem; ou mesmo que isso seja feito em algum lugar no interior, em que a liberdade vigiada seja adaptada o máximo possível, sempre prestando a atenção para que a criança cuide de ficar em segurança, para que ela entenda a importância de cuidar de si mesma e se manter dentro da área delimitada”, explica Daniella.

A especialista também ensina que é possível ir usando essa técnica mesmo com os menores, desde que se explique os motivos daquilo. ” A gente pode dizer, por exemplo: Vamos ao parque e você vai ficar junto. Se você sair na frente, voltaremos para o carro”. Para a psicóloga, isso ajuda a levar para a criança a importância sobre a responsabilidade que ambos (pai ou cuidador e criança) têm de cuidar daquela situação.

Dica | A brincadeira espontânea é a que mais gruda na memória emocional

Para a psicóloga infantil Daniella Freixo de Faria, brincar é o grande ponto de encontro entre o mundo dos adultos e o das crianças; e quanto mais espontânea for a brincadeira, maior a chance de ela não ser esquecida pelos pequenos. ” Às vezes a gente pensa que vai ter que sentar no chão e pegar um jogo, mas a brincadeira pode estar em três minutos que você cria um pega-pega antes do banho. A leveza do brincar está inserida no dia a dia e é importante porque nos traz empatia e intimidade; traz alegria para todo mundo, e essa brincadeira é ainda mais importante do que a formal. A brincadeira de supetão é a que gruda na memória emocional.”

A especialista ainda explica que para ter acesso a esse tipo de brincadeira cabe ao adulto resgatar a própria criança e lembrar da criatividade, uma vez que isso facilita o entendimento das crianças, que passam a ser vistas com um olhar mais amoroso, mais compreensivo.

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