BRINCAR É … UMA BOA MANEIRA DE ENTENDER COMO AS CRIANÇAS PERCEBEM AS DIFERENÇAS DE GÊNERO

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Basta alguém de nosso convívio ter a confirmação de uma gravidez e logo escutamos (ou fazemos) a pergunta: é menino ou menina? E mesmo que os pais não tenham preferência por um sexo ou outro, a resposta muitas vezes acaba delineando as escolhas seguintes, tais como a cor que irá decorar a parede do quarto e estará presente na maior parte das roupas, os brinquedos que serão dados para essa criança e, também, os tipos de brincadeiras que lhe serão ensinadas primeiro. Naturalmente existem exceções para todas questões, mas a maioria das pessoas ainda é regida pelo estereótipo enraizado na cultura em que vivemos, e isso fica bastante visível quando as crianças passam a fazer distinções do que se chama “brincadeira de menino ou brincadeira de menina”, como explica a coordenadora do Núcleo de Cultura e Pesquisas do Brincar da PUC -SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Maria Ângela Barbato Carneiro.

” A brincadeira está relacionada com a questão cultural, com os papeis dos gêneros feminino e masculino definidos dentro da sociedade.  Culturalmente a mulher ficava na comunidade e cabia a ela cuidar da prole e da organização interna da casa e ao homem cabia a caça e a coleta. A função de sair era mais do homem. Então as brincadeiras mais apreciadas pelas meninas são aquelas em que elas ficam, simulam o cuidar e outras que são típicas também de quem ficava em casa, como passa anel e roda. Já os meninos gostam mais de ir para longe, da bola, do arco, das lutas e de pegador [pega-pega], embora essa em geral seja uma brincadeira que ambos gostem pela questão da corrida, já que os espaços estão ficando pequenos.”

Para a professora, embora ainda exista essa distinção entre os gêneros, é importante que ela seja deixada de lado, para que a criança tenha a chance de explorar os materiais sem preconceito. E um dos fatores que podem contribuir para que isso se torne realidade é a mudança dos papeis de homens e mulheres na sociedade.  ” O homem hoje cozinha e ajuda nas funções que antes eram consideradas especificamente da mulher. E a mulher tem papeis de executiva, de motorista de carro, de ônibus e até de mecânica, o que antes era algo muito voltado para o universo masculino; então é muito comum que essa mudança passe a afetar também as brincadeiras das crianças.”

Mas enquanto a sociedade ainda não está totalmente livre dos preconceitos que envolvem os gêneros uma boa opção é orientar crianças e adultos para que isso não atrapalhe nenhuma brincadeira.

E uma situação em que um garoto deseje participar da brincadeira de um grupo de meninas que se divertem com bonecas, por exemplo, e elas o recusem por considerarem aquilo uma “brincadeira de menina”, a especialista indica a conversa.

“É possível fazer uma interferência levando uma questão de um outro brinquedo, como a bola, que seria a rigor um brinquedo de menino. A partir daí pode-se perguntar para elas:  ‘E se acontecesse com vocês? E se só tivesse meninos para brincar? Como vocês se sentiriam?’ É importante trabalhar um pouco a questão da relação para que as crianças se libertem de alguns preconceitos que vieram aos poucos, por meio de colegas, e às vezes sem a criança entender. Assim como pela indústria que se encarrega de fazer brinquedos só cor de rosa para meninas para vender mais.”

Quando o caso ocorre envolvendo adultos, Maria Ângela também aposta em uma boa conversa, mas essa deve ocorrer longe da criança. “É possível explicar que as coisas estão mudando e que a criança se interessa pelo brinquedo ou brincadeira pela simples questão do brincar e não pelo gênero. A curiosidade é um fator importante. Os brinquedos de meninos, como bonecos, por exemplo, não são dotados de cabelos, enquanto os de meninas são. Existe uma curiosidade sobre lavar, pentear. É um processo de exploração e de descoberta e isso não implica necessariamente em gestos masculinos ou femininos.”

Assim, a melhor maneira de entender o que um menino que brinca de boneca, por exemplo, deseja é observando. A especialista indica que os adultos aguardem para verificar como será a manipulação daquele brinquedo. “Algumas vezes eles até os destroem pelo excesso de exploração. Daí a importância também de investir em objetos que a criança possa explorar e sentir como funcionam sem que sejam necessariamente objetos caros, determinados por uma indústria que tem uma visão adulta do que faria uma criança feliz. “

Dica | Mas e se as brincadeiras mostrarem que existe uma preferência?

A pesquisadora Maria Ângela Barbato Carneiro conta que, embora não seja a regra, algumas vezes pode acontecer de meninas terem preferências por coisas de meninos e vice-versa ou até mesmo de crianças muito pequenas estarem certas da sensação de que nasceram no gênero oposto. No entanto, segundo ela, em situações como essas o melhor a ser feito é observar e, na dúvida, encaminhar a criança para um profissional que possa fazer esse diagnóstico com mais clareza. “Quanto mais cedo os pais perceberem é melhor do que ficar massacrando uma criança por conta de um preconceito.” Outro ponto importante é não inibir a criança. Tentar reprimir as atitudes dela ou dizer a ela que não é esse o modo certo de brincar só causará traumas.

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