EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA CRIANÇAS: O PAPEL DOS PAIS E DA ESCOLA

Compartilhe Share on Facebook475Tweet about this on TwitterShare on Google+0Email this to someonePrint this page

Economizar água, apagar as luzes, fazer brinquedos com material reciclável, enfim, hoje em dia cuidar do meio ambiente e incentivar ações voltadas à sustentabilidade estão cada vez mais evidentes em qualquer lugar do mundo e em todas as esferas sociais.

E não poderia ser diferente quando falamos em educação ambiental das crianças, que são verdadeiras esponjinhas, absorvendo todo o conhecimento à sua volta e aprendendo com o exemplo das pessoas que as cercam, e que confiam.

De acordo com a professora e coordenadora pedagógica do Instituto de Desenvolvimento e Capacitação Profissional (IDCP), Luciana Martins Maia, “não tem idade certa para estimular a conscientização sobre a preservação do meio ambiente. É uma questão de educação mesmo. Conforme a família vai ensinando atitudes e valores aos filhos, vai ensinando a importância de se preservar o planeta. Cidadania e respeito ao meio ambiente se começa em casa”.

E é claro, toda criança aprende muito mais brincando e quando algo desperta o seu interesse, e é assim que os pais podem estimular o contato dos filhos com atividades participativas, que têm como propósito cuidar da natureza.

Educação Ambiental para crianças

A faixa etária dos porquês é entre 4 e 6 anos, quando “as crianças querem descobrir de onde vêm as coisas (roupa, sapato, alimento, banho, brinquedo, lazer etc.). Para explicar de uma maneira mais atraente, experimente contar histórias sobre o caminho percorrido de cada coisa até chegar a sua casa”, sugere a pedagoga.

Além disso, participar de teatros, construir brinquedos de sucata a partir do lixo que as próprias crianças separaram e guardaram são brincadeiras à parte. São momentos importantes de integração que os pais podem e devem ter com os filhos.

Para os maiores, de 7 a 10 anos, que compreendem os resultados das suas ações, alguns exemplos de atividades que estimulam a educação ambiental são “separar itens que serão descartados, estimular o uso de garrafas de água em vez de copos descartáveis, criar uma campanha para diminuir as contas de água e luz de casa e premiar a criança quando alcançar o objetivo”, como recomenda Luciana Martins.

O papel das escolas na educação ambiental

As escolas também têm um papel importantíssimo na educação ambiental das crianças. E estes ensinamentos devem fazer parte de um conjunto de ações que visem ao desenvolvimento integral da criança, com atividades interdisciplinares. Assim é a proposta do Colégio Mary Yard, na zona leste de São Paulo, que tem diversos projetos com este objetivo,  começando desde a Educação Infantil, com hortas comunitárias, até o Fundamental I, II e Ensino médio, com a criação do concurso dos mascotes da coleta seletiva, entre outras ações.

“Os projetos desenvolvidos em sala de aula trazem, principalmente, a conscientização para as nossas crianças. Toda a dinâmica utilizada, quando o tema é sustentabilidade, visa a criar um ambiente de cooperação e preservação. Assim, alguns materiais usados de forma lúdica, como pets, embalagens, latas, garrafas, entre outros, servem para produção de materiais alternativos que as crianças possam brincar durante o ano”, explica Carlos César Marconi, diretor pedagógico do Colégio Mary Yard.

Além disso, as atividades devem ir além das salas de aula. “É preciso que a escola crie uma nova mentalidade com relação a como usufruir dos recursos oferecidos pela natureza, criando assim um novo modelo de comportamento, buscando um equilíbrio entre o homem e o ambiente”, acredita a diretora do IPCD.

E é isso que o Colégio Mary Yard também defende. “Vale lembrar que todos os projetos têm que ser constantes. A mudança de mentalidade é um desafio na educação. A insistência é a garantia dessa mudança de postura frente aos problemas que enfrentamos na atualidade. Basta citar o problema que hoje passamos com o abastecimento de água”, lembra Véra Lúcia Cassandro Carayol, coordenadora pedagógica da escola.

Brinquedos reciclados

A escola tem um papel importante, sem dúvida, mas vale o ditado que “educação vem do berço”, porque é em casa que o aprendizado se consolida. A escola é apenas um motor.

E é isso que a artesã e organizadora de festas Adriana Gaspar, da Arteria Atelie, mãe do Gustavo de 4 anos, procura ensinar para seu filho. Ela tem o privilégio de unir o trabalho com a diversão de seu pequeno, usando a criatividade para criar brinquedos com os mais diferentes materiais. “Uso muito papel. Papel de todos os tipos e espessuras. A partir daí vou inventando e incluindo outros materiais, como potes de iogurtes, garrafas, barbantes, etc.”, afirma ela, que já criou telefones, máquinas de escrever, fantasias, aviões e muitas outras coisas que não ficam atrás de nenhum brinquedo comprado em loja.

O papelão e as garrafas pets são ótimos aliados para os pais que querem investir algumas horas de seu tempo na educação ambiental de suas crianças. Chocalhos, porta trecos, enfim, o céu é o limite para quem tem imaginação.

A internet oferece uma série de sites com tutoriais para aproveitar os mais variados objetos que iriam para o lixo. Até os rolinhos de papel higiênico podem virar brinquedos bem legais, como trenzinhos, carrinhos, fantoches, e por que não um porta-retratos bem legal?

“Para criar é só começar. Uma ideia vai atraindo a outra e vale cada minuto, já que o Gustavo vibra muito com cada etapa que vai ficando pronta. Nas festas de aniversário dele tem que ter brinquedo com materiais reciclados. Tento passar para ele que o valor das coisas está no tempo e carinho que elas são confeccionadas, além da importância de reutilizar materiais, reciclando sempre. Quando estou trabalhando, ele quer participar e inventar alguma coisa.Pega tesoura, cola, papel, potinhos, tampinhas, fitas, etc., e sempre me surpreende com o que inventou.”, se orgulha Adriana.

 Atividades de educação ambiental

Abaixo a pedagoga Luciana Martins Maia deixa algumas dicas para os pais adotarem em casa e incentivar o cuidado de seus filhos pelo meio em que vivem.

– Converse sobre a importância das árvores, o que elas são, o que oferecem ao meio ambiente e como se planta uma. Podem brincar de acompanhar o crescimento de uma árvore ao longo dos anos;

– Fazer uma criança entender que é preciso que as luzes de um cômodo sejam apagadas quando não houver ninguém nele é uma tarefa complicada. Uma sugestão é colar super-heróis nos interruptores e dizer para a criança que eles estão de olho no desperdício de energia;

– Para diminuir o tempo no banho e economizar água, podemos cronometrar o tempo que as crianças levam no chuveiro e criar uma corrida. Ganha quem tomar banho em menos tempo. Mas não pode deixar de fazer a higiene direito. Quem não passar shampoo ou sabonete será desclassificado;

– Bilhetinhos também podem ser colocados próximos das torneiras, para lembrar de fechá-la bem ao terminar de lavar as mãos ou enquanto estão escovando os dentes;

– Explicar que os carregadores de celulares, tablets, etc., consomem energia quando estão conectados à tomada. Podem ser criados locais (caixas, cestas, etc.) para que sejam colocados quando não estiverem em uso;

– As crianças podem ficar no comando da reciclagem. Dê a elas a tarefa de fiscalizar o desperdício. Elas ficarão atentas e entenderão melhor a importância da preservação ambiental;

– Criar o “Dia da Limpeza”, em que todos da casa serão responsáveis por uma tarefa, da retirada do lixo à arrumação da casa. Nesse mutirão de limpeza deve ser explicada a necessidade da coleta e destinação adequadas dos resíduos, assim como os impactos no caso de não fazê-las adequadamente;

– Mostre as crianças que a água da chuva pode ser reaproveitada. Basta colocar um balde fora da casa com uma pedra dentro, para não tombar, e esperar a chuva. Quando parar é só pegar esse balde e usar essa água nos sanitários, na limpeza ou para molhar as plantas;

– Também existem maneiras de interagir com as crianças transmitindo a mensagem de responsabilidade socioambiental associada à brincadeira. Existem diversos jogos que fazem com que a criança teste seus conhecimentos sobre meio ambiente e sustentabilidade, ou mesmo que seja incentivada a criar ambientes sustentáveis;

A família também pode incentivar a redução da compra e uso de produtos e serviços que não são extremamente necessários, ou que podem ser substituídos por outros que agridem menos o ambiente; estimular a reutilização de materiais que já foram usados, mas que antes do descarte podem ser reusados no mesmo ou em outro processo – como garrafas de vidro ou plástico para guardar lápis, caixotes de madeira para guardar brinquedos e usar o verso das folhas de sulfite como rascunho; contribuir com a reciclagem de materiais, fazendo a separação e armazenagem correta dos resíduos até a sua coleta.

Com todas estas atitudes, os pais colaboram efetivamente para que a nova geração esteja preocupada com a preservação dos recursos naturais, garantindo um ambiente saudável para a sociedade como um todo.

 

Gostou do nosso artigo?  Compartilhe com seus amigos e deixe seu comentário!!  Até breve!

Compartilhe Share on Facebook475Tweet about this on TwitterShare on Google+0Email this to someonePrint this page

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *