INFÂNCIA E TECNOLOGIA : DESCOBRINDO O MUNDO VIRTUAL

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Como apresentar a tecnologia de forma correta para as crianças e usar os fatores modernos a favor da educação e do seu desenvolvimento emocional e intelectual

Você estranharia se alguém te contasse que uma criança de dois anos pode pegar o celular dos pais e tirar uma fotografia sem precisar de ajuda, ou ainda abrir jogar alguns joguinhos? Pois, hoje em dia essa realidade é cada vez mais comum.

Desde o nascimento as crianças de hoje já estão imersas no universo tecnológico e aprendem de uma forma autodidata a usar aparelhos eletrônicos como se fosse uma extensão do corpo. Isto porque as crianças são verdadeiras esponjas e absorvem tudo o que vê, e seus pais estão inseridos neste universo praticamente 24 horas por dia pelos telefones, tablets e notebooks. Não é difícil encontrar vídeos que mostram as crianças habilidosas com estes aparelhos, tanto que recentemente um fez muito sucesso pela rede social Facebook, ele mostra uma criança com cerca de dois anos ensinando o tio a usar um Smartphone.

Mas como lidar com esta avalanche de informação? Como controlar os filhos que se encantam tão facilmente com a tecnologia e parece tornar as brincadeiras do tempo dos avós em algo sem graça e sem propósito? Como estimular os filhos de forma correta? Deixar ou não deixá-los ter acesso à Internet, eis a questão?

Diversos questionamentos são feitos sobre o uso da tecnologia no cotidiano infantil. Muitas crianças em fase pré-escolar já estão inseridas neste universo navegando pela internet, e muitas vezes sem a supervisão adequada. “É preciso saber o que eles assistem e o que vêem na internet. Se está de acordo com a idade da criança. O horário também é muito importante. A criança precisa descansar a mente para estar pronta para o dia seguinte em seus estudos e afazeres,” relata Marisa Dutra, pedagoga.

Um breve panorama de vinte anos atrás

Na década de 90 onde iniciou a grande onda do consumismo tecnológico a diversão das crianças e adolescentes eram brincadeiras nas ruas ou parques. Esconde-Esconde, Pega Bandeira, Polícia e Ladrão, Queimada, entre inúmeras outras faziam parte do final de semana de muitos de nós. Rodas de violão na calçada embalavam as tardes pós-colégio entre os amigos da rua e computadores com internet eram itens raros nas casas dos brasileiros.

Era comum observar grupo de meninos brincando de futebol na rua, usando o chinelo para fazer a alusão do gol ou meninas entretidas com suas bonecas e pulando elástico.

Pedagogos e pensadores acreditam que estes momentos lúdicos ao ar livre estão cada vez mais raros na década atual, seja pelo encantamento que os vídeo games proporcionam, ou pela falta de segurança, que deixam os pais cada vez mais apreensivos em deixar as crianças brincarem sozinhas na rua ou até no play do prédio.

Para as meninas, as brincadeiras com bonecas continuam, mas foram adaptadas ao mundo cibernético, ganhando softwares em que se podem escolher qual o tipo de boneca, a roupa que vai usar e a maquiagem. Para os meninos, o tradicional futebol no campinho, virou a Copa do Mundo que pode ser jogada do sofá da sala, com seu amiguinho virtual do outro lado do mundo, ou seja, o vídeo game, que era item de luxo em grande parte das casas nos anos 80 e 90, se tornou acessório de bolso.

Para a empresária Meireana de 41 anos, a tecnologia tem um papel importante no desenvolvimento infantil, mas os pais devem ser cautelosos para que elas não percam a percepção real do mundo “A tecnologia pode atrapalhar porque deixa a criança desligada do mundo real, desaprende as brincadeiras ao ar livre. Não existe a descoberta do mundo externo, o sujar a mão, correr, subir em árvore, andar de bicicleta.”, comenta ela que tem uma filha de nove anos que utiliza o computador para realizar trabalhos escolares e algumas atividades de lazer.

Do ponto de vista das novas mídias

A tecnologia não pode ser considerada necessariamente uma vilã no mundo infantil. Se bem dosada e aplicada da forma correta, o desenvolvimento cognitivo da criança ganha sem dúvida uma ajuda extra. Para muitos pedagogos, a tecnologia deve ser grande aliada na educação, desde jogos de memória, atividades lúdicas que estimulem a criatividade a jogos de lógica, mas mesclando sempre com atividades ao ar livre em contato com a natureza e família, para um desenvolvimento socioemocional pleno.

Afinal de contas, ela está cada vez mais presente, inclusive nas escolas, que a utilizam como uma extensão ao processo educacional tradicional, estabelecendo a importância de trazer para este ambiente o que o mundo já traz para todos os outros.

O funcionamento do cérebro ainda é um mistério que desperta a curiosidade dos cientistas.  O intelecto funciona como uma grande cômoda com várias gavetas. Ao receber estímulos essas gavetas se abrem e guardam as novidades de conhecimento. Se a criança não recebe estímulos, essas gavetas ficarão vazias e dificultarão o aprendizado, pois eles são importantes para a formação emocional e intelectual do ser humano. Uma criança que é estimulada a raciocinar na infância terá grande facilidade para um aprendizado maior na vida adulta. Sendo assim, alguns especialistas defendem que a tecnologia deve ser um apoio para a educação. “A tecnologia não atrapalha o desenvolvimento quando há direcionamento dos pais. Quando o uso é sem limite e a tecnologia sobrecarrega a rotina, ela se torna nociva como qualquer outra atividade que desgaste o intelecto infantil.” afirma a pedagoga Marisa Dutra.

Tecnologia para crianças – Tudo na vida tem limite

Hoje em dia, infelizmente, a correria do dia a dia, torna o tempo dedicado para o lazer e a educação dos filhos cada vez mais escasso. Muitas vezes o ipad é uma válvula de escape para os pais, que conseguem mantê-los entretidos enquanto precisam “dar conta” de outras atividades corriqueiras.

Alguns adultos acham que as crianças não vão se interessar pelas brincadeiras antigas ou brinquedos que não pisquem, pulem e nem tenha sons. Muito pelo contrário, elas ficam encantadas em conhecer mais sobre o universo dos pais, pintar, desenhar, vestir e criar as roupas das suas bonecas, jogos de tabuleiro, brinquedos de construir, enfim, tudo que proporcione a interação social, o desenvolvimento do raciocínio e o convívio com outras crianças e com os adultos.

Nada como ler um bom livro para estimular a imaginação dos pequenos, ou então incentivá-los a criar sua própria história com papel e caneta na mão, longe dos tablets.

Uma pesquisa feita no Reino Unido com 1500 crianças constatou que o que elas mais gostam de fazer é brincar no jardim ou no parquinho. Além disso, quando foi perguntado para elas o que gostariam de fazer antes de acabar as férias, 32% responderam que queriam sair com os amigos e 25% ficar mais tempo com o pai e com a mãe, ou seja, interagir e ter contato com os outros é o desejo dos pequenos.

Quem se preocupa em achar que os filhos ficarão mais felizes com o vídeo game da última geração ou a boneca que acabou de ser lançada, são os pais, que muitas vezes procuram com estes produtos compensar a sua ausência.

Investindo tempo na educação dos filhos

“O tempo não para” já dizia o poeta Cazuza. Investir tempo com os filhos é fundamental para o desenvolvimento socioemocional e cognitivo das crianças. Acompanhar as atividades escolares, ajudar nas tarefas, investir tempo no lazer são partes fundamentais para uma educação de sucesso.

Se os filhos são criados para o mundo e a tecnologia faz parte do cotidiano de todas as pessoas, porque não apresentar e instruir desde cedo nesse novo universo? Acompanhar o descobrimento dos pequenos em relação à tecnologia é fundamental para que a mesma não tenha um papel infeliz na vida da criança. Como já dizia nossos avós, “tudo faz bem na medida certa”.

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