O BRINQUEDO CERTO PARA SEU FILHO

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Um famoso filósofo, Joan Huizinga já afirmava na década de 1980 que o homem é um ser lúdico. Porém, o caráter lúdico da humanidade não consiste em um aspecto trivial ou mero divertimento, como muitos acreditam. Pelo contrário, é através do jogo e da brincadeira que podemos desenvolver habilidades, propor novas soluções e realizar descobertas.

Pensando nisso, muitos pais, ao se verem em uma loja de brinquedos, por exemplo, procuram por aqueles que trazem em suas embalagens classificações etárias ou promessas do desenvolvimento infantil, sem se preocuparem com o interesse da criança. Ou, por outro lado, optam pelo personagem da moda em vez de um brinquedo que possibilite mais experiências e aprendizado.

Claro que a classificação etária é importante e serve de auxílio aos pais na decisão pela compra de um brinquedo. Porém, é interessante lembrar que o brinquedo é apenas um mediador da brincadeira, ou seja, se o portador do caráter lúdico é o humano, o brinquedo deverá estar a seu serviço.

Assim, quando os pais nos perguntam sobre o brinquedo ideal para seu filho, é claro que levamos em conta não a faixa etária da criança, mas as etapas do desenvolvimento infantil que podem ser mais facilmente identificadas pelas conquistas das crianças: como sentar, engatinhar, andar, verbalizar, etc. É importante considerar também os interesses, preferências, necessidades individuais e o que podemos fazer com os brinquedos ou quais situações podemos criar a partir deles.

Sabe-se que os primeiros anos de vida são o período mais importante para despertar e estimular os sentidos das crianças. Pensando nisso, os brinquedos mais indicados são aqueles que possuem cores e texturas diferenciadas, que agucem a curiosidade e a vontade de tocar e sentir com o corpo todo. A partir desses brinquedos, pode-se incentivar a criança a sentir as diferentes partes do corpo, manipulando-os, massageando-os, provando-os e interagindo com eles. Lembre-se que esse é o primeiro contato da criança com a realidade e com o brinquedo, e o adulto, nesse caso, pode servir de mediador, mostrando o que fazer com ele e até fazendo com o bebê.    Também são favoráveis brinquedos que estimulem os movimentos das crianças, tais como sentar, engatinhar e andar. É o caso, por exemplo, de brinquedos de empurrar (como carrinhos de boneca ou de mercadinho) e de puxar (como carrinhos ou trens puxados por uma cordinha). Ou mesmo os brinquedos anteriormente citados podem incentivar a movimentação dos bebês quando colocados á distância, de modo que os adultos podem encorajá-los a puxar, alcançar, buscar.

Aqui cabe um adendo sobre o uso do andador. Considerado brinquedo por muitos pais (pois acham que é uma forma de “distrair” a criança), ou uma forma de controlar a criança por outros (pois dá a falsa impressão de segurança), o andador prejudica o desenvolvimento psicomotor, pois o bebê aprende a correr de forma errada e fora do tempo normal. Atrapalha o processo natural da marcha, pois ensina o bebê a caminhar na postura errada. Além disso, prejudica o exercício físico (pois ela despende menos energia) e desequilibra a criança, propiciando quedas.

Quando a linguagem começa a aflorar, é hora de mostrar outras oportunidades às crianças. Nessa fase, elas já são capazes de compreender o faz-de-conta e criar situações fictícias. É o momento de oferecer brinquedos que possibilitem reproduzir ações do dia-a-dia, mesmo do adulto: brincar de casinha, mercadinho/lojinha, dinheirinho de mentira, médico, construtor, escolinha, entre tantos outros jogos simbólicos que sabemos que as crianças gostam bastante e incentivam seu imaginário.

Nesse tipo de brincadeira é possível ao adulto observar aspectos importantes do desenvolvimento infantil. No campo emocional, o apego a determinados brinquedos ou a fala da criança durante a brincadeira expressam seus sentimentos mais pessoais. No que diz respeito à cognição, podemos analisar que raciocínio a criança utiliza para resolver pequenas situações-problema que surgem na brincadeira. No aspecto psicomotor, observa-se como a criança utiliza seu corpo na brincadeira, que movimentos ela faz (Faz só o que já sabe/o que já conhece? Ou tenta novas formas de se movimentar?), se consegue, por exemplo, dobrar o cobertor da boneca ou manipular pequenos objetos (como a injeção do médico ou abrir uma garrafinha da boneca). E, finalmente, no campo da socialização, podemos observar a interação da criança com os brinquedos e também com seus colegas, se empresta seus pertences, se divide os brinquedos disponíveis com todos presentes na brincadeira, se brinca sozinho com estes brinquedos ou se prefere interagir com outras crianças e de que forma essa interação ocorre (Mediada por um adulto? Ou conseguem criar situações de faz-de-conta sozinhos?).

Finalizada a etapa da educação infantil, pode-se propor novos desafios às crianças a partir do incentivo aos jogos de raciocínio. Nesse período, é interessante que as crianças dominem as regras e combinados necessários ao andamento do jogo e também formulem respostas ou soluções para os desafios trazidos pelo jogo.

Igualmente interessantes são os brinquedos que estimulam a linguagem e a criatividade. Sabe-se que nesse período as crianças são capazes de fantasiar, criar histórias e se envolver no mundo da imaginação. Desse modo, fantoches, dedoches, livros (por que não?), assim como aqueles que incentivam o jogo simbólico, como objetos de casinha, mercadinho, supermercado, são favoráveis a essa faixa etária.

 Assim, ao adentrar em uma loja de brinquedos os pais podem ter em mente essas sugestões, mas sem deixar de lado as preferências individuais das crianças. O importante é lembrar que a criança é o agente da brincadeira, e o brinquedo; o seu mediador. São as crianças que criarão as histórias para os personagens, a cultura e o imaginário que os envolverão. Os pais podem embarcar nessa aventura, incentivando a ludicidade e, claro, fantasiando com as crianças!

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